Qui, 14 de Janeiro de 2010 09:34

CIDADE DOS CONTRASTES

Era moleque quando na frente da televisão acompanhava fascinado as comemorações do dia 1o. de janeiro na famosa procissão de barcos de Angra dos Reis, litoral sul fluminense.
Achava muito engraçado e divertido o humor sempre sarcástico e afinado do carioca.
Com o passar dos anos, já adolescente prestava atenção nos barcos maiores, lanchas e iates que levavam a bordo gente bonita e abastada.
A verdade é que o tempo passou, recebi alguns convites, mas por uma infelicidade aqui e outra acolá, minha vontade acabou sendo sasciada mesmo pela telinha.
Mas um dia fui conhecer Angra.
E esse dia foi 1o. de janeiro de 2010.
Eu estava terminando um texto sobre a virada do ano em Duque de Caxias, baixada fluminense, quando meu chefe se aproximou e deu a notícia : " Você vai pra Ilha Gde em Angra dos Reis. Arruma tuas coisas que o helicóptero vai te levar " .
Missão dada, missão cumprida, diz um ditado militar e lá fui eu.
Trinta minutos depois já sobrevoava Ilha Grande.
O morro de 400 metros de altura estava descoberto. Lá embaixo um amontoado de árvores e lama soterrara dezenas de pessoas.
A maior parte da avalanche cobriu de terra 7 casas e, num outro trecho ao lado, pedras e toneladas de terra destruíram parte de uma pousada.
O cenário era desolador!!!!
Identificada a área em Ilha Gde o helicóptero guinou à direita e seguimos para Angra.
Três minutos depois à nossa frente estava a baía de Angra.
Como nos tempos de criança, as marinas estavam cheias de barcos lindos e chiques, mas agora o que me chamava atenção era uma gigantesca fenda que se abriu depois de um grande deslizamento de terra no chamado Morro da Carioca.
Nesse outro desastre, desta vez no continente, bombeiros e equipes da defesa civil procuravam por mais 20 pessoas.
O piloto novamente sobrevoou as áreas afetadas e deu pra ver de perto que Angra é uma cidade de contrastes, grandes e tristes contrastes.
A magia da Angra das ilhas paradisíacas, dos iates e lanchas modernos, dos helicópteros coloridos que levam e trazem endinheirados, estava, naquele instante, esquecida!
Com o passar dos dias, no meu ofício de reportar para os telespectadores o que acontecia em Angra percebi o que a falta de planejamento, o crescimento desordenado e o desleixo do poder público transformaram uma cidade de tema de novela a um município desamparado e amedrontado por enormes e frágeis encostas.
Angra dos Reis cresceu ladeado por morros....invadiu o espaço da natureza e esculpiu barracos em encostas tropicais com solo de consistência duvidosa. A chuva forte e insistente puniu quem lá se instalou.
Cravados nesses morros moram trinta e cinco mil pessoas. Oitenta por cento delas, bem no coração da cidade.
Dizer que essas pessoas ocuparam áreas distantes dos olhos do poder público é perder a noção do perigo e do razoável.
Pra piorar o clima, uma manchete desastrosa de um jornal carioca sepultou de vez a atividade mais importante da cidade : o turismo.
Assustados, brasileiros e estrangeiros que amam se aventurar em escunas coloridas pelas ilhas em Angra, sumiram do mapa. Reservas canceladas, cheques que foram sustados, marinas desertas e muita gente desempregada.
O descaso de décadas enfim foi lamentavelmente percebido.
Que isso sirva de lição!!!
Publicado em MANEIRO E BOLADO
Qui, 03 de Dezembro de 2009 16:40

EFEITOS DO SOL EM CRIANÇAS

No Brasil, para cada criança que usa óculos de grau com proteção solar há 6 adultos. Os efeitos nocivos do sol à visão são maiores na infância

Pesquisas realizadas em diversos países mostram que para cada criança que protege os olhos do sol há 5 adultos. No Brasil este índice é um pouco mais alto – 1 criança para cada 6 adultos - pelo menos, entre os que usam lentes corretivas para corrigir vícios de refração (miopia, astigmatismo, hipermetropia).

É o que aponta o comparativo de dois estudos realizados pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto – Um com 223 adultos em idade acima de 50 anos e outro com 233 crianças entre 10 e 14 anos.  Entre adultos, dos 42% que usavam óculos de grau, 30% das lentes tinham proteção UV (ultravioleta) contra 5% das lentes corretivas usadas por 20% das crianças. O médico afirma que ao contrário do que muitas pessoas imaginam, na infância, os efeitos nocivos do sol para os olhos são maiores. Os fatores que  aumentam os riscos são:

  • Crianças têm a pupila maior e propensão à fotofobia (sensibilidade à luz) porque o cristalino é mais transparente.
  • Até 10 anos, a maior transparência do cristalino permite que 75% da radiação UVA e UVB penetrem na retina, contra 10% aos 30 anos de idade.
  • A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 20% dos casos de catarata são decorrentes da excessiva exposição ao sol.
  • A absorção do UV pelos olhos é cumulativa. Além de catarata precoce, pode causar pterígio, degeneração da retina e inflamação na córnea.
  • Crianças passam 3 vezes mais tempo ao ar livre do que adultos e isso exige maior proteção.

PROTEÇÃO OCULAR IDEAL PARA CADA IDADE

Queiroz Neto afirma que até 10 anos de idade os olhos devem ser protegidos do sol com viseira, chapéu de aba larga ou boné, barreiras físicas que bloqueiam 50% da radiação UV. Isso porque, explica, embora o sistema ocular esteja completamente desenvolvido aos 3 anos de idade, a visão é moldada até os 10 anos. Significa que neste período o estímulo visual de cores, formas e brilho contribuem para perfeita moldagem da visão que está associada à capacidade de aprender. Por isso, ressalta, o escurecimento das imagens por óculos solares pode comprometer este processo nesta fase da vida. Só a partir dos 10 anos os óculos escuros devem ser usados. Como a OMS recomenda proteção máxima, que inclui uso de óculos quando o índice UV atinge 7, o médico afirma que as atividades ao ar livre devem ser evitadas por crianças menores nos horários de pico da radiação - das 11 às 17 horas - durante as férias de verão já iminentes. A regra vale mesmo para dias nublados em que a radiação atinge 70% dos ensolarados.

Para crianças que necessitam de lentes corretivas logo nos primeiros anos de vida o especialista recomenda o uso de lentes fotossensíveis. Isso porque, associam 100% de proteção UV, bom estímulo do sistema ocular e reduzem o cansaço visual no vídeo game por calibrarem o brilho do monitor em um nível bastante confortável.

O médico ressalta que lentes escuras sem proteção mantêm a pupila dilatada e por isso permitem maior penetração da radiação na retina que danifica suas células fotossensíveis. Todo óculos de sol confiável tem certificação NBR ISO 15111, conclui. Sem esta certificação é melhor evitar a compra para prevenir doenças causadas pela radiação.

Publicado em VISÃO DIFERENTE

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