ACENDERAM O MAÇARICO
O ar condicionado ainda está ligado quando afasto a cortina pra conferir o tempo lá fora. O azul contornando o Morro Dois Irmãos ( um dos símbolos da cidade e marca registrada de Ipanema e Leblon ) é certeza de praia. Pra quem viveu boa parte da história longe do mar, morar a poucos metros da areia me ensinou muita coisa. A primeira delas é que Rio sem sol não é o Rio! A química entre eles é perfeita. O carioca gosta, aproveita e se você não quer se passar por Mané....tem que entrar na onda.
Em dia de calor, o calçadão está sempre mais colorido. É um convite irrecusável : não precisa nem correr; basta caminhar e desfrutar!!! Tem a turma do volei de praia, as babás e seus anjinhos do Baixo Bebê ( local reservado às crianças e recém nascidos ), os esportistas, os exibicionistas, os tios, as tias e, claro as garotas.... Recentemente, um amigo veio me visitar e depois de algumas manhãs no Leblon soltou uma hilária : Rapaz, elas são muito especiais, andam de um jeito diferente e usam uns paninhos....que me deixam louco!!! Os paninhos a que se refere meu deslumbrado hóspede são as roupas leves e transparentes que cobrem siluetas quase perfeitas das meninas que enfeitam a praia. Talvez com o passar dos anos, algum catedrático de universidade queira estudar a fundo o " andar da carioca ".....e defender uma tese que explique os motivos de tanta leveza e seduçao num simples caminhar.... Mas, o verão não molda o carioca apenas na praia. Quando os termômetros sobem, o final do dia sempre é mais saboroso.
O calor convida as pessoas a fazer de um simples happy hour, um evento. Bares dos quatro cantos da cidade fervem. Mesinhas são tão disputadas quanto ingressos de uma final no Maracanã. Aqui, saber o nome do garçom é exigência básica para atendimento rápido e eficiente. O vai e vem de taças douradas com pouco colarinho vai desconstraindo ainda mais o carioca que , por essência, já é descolado. E nesse clima de sorrisos, conto de casos, chopps, bolinhos de bacalhau ( quase uma entidade por essas bandas ), sempre tem alguém querendo conhecer alguém. E aí o carioca mostra o melhor de suas qualidades: o de fazer amizade fácil !!!!! É olhar pro um lado, fazer um comentário e pronto : é descer mais um chopp, mais outro e a mesa 12 já será anexada à mesa 13....
EFEITOS DO SOL EM CRIANÇAS
Pesquisas realizadas em diversos países mostram que para cada criança que protege os olhos do sol há 5 adultos. No Brasil este índice é um pouco mais alto – 1 criança para cada 6 adultos - pelo menos, entre os que usam lentes corretivas para corrigir vícios de refração (miopia, astigmatismo, hipermetropia).
É o que aponta o comparativo de dois estudos realizados pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto – Um com 223 adultos em idade acima de 50 anos e outro com 233 crianças entre 10 e 14 anos. Entre adultos, dos 42% que usavam óculos de grau, 30% das lentes tinham proteção UV (ultravioleta) contra 5% das lentes corretivas usadas por 20% das crianças. O médico afirma que ao contrário do que muitas pessoas imaginam, na infância, os efeitos nocivos do sol para os olhos são maiores. Os fatores que aumentam os riscos são:
- Crianças têm a pupila maior e propensão à fotofobia (sensibilidade à luz) porque o cristalino é mais transparente.
- Até 10 anos, a maior transparência do cristalino permite que 75% da radiação UVA e UVB penetrem na retina, contra 10% aos 30 anos de idade.
- A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 20% dos casos de catarata são decorrentes da excessiva exposição ao sol.
- A absorção do UV pelos olhos é cumulativa. Além de catarata precoce, pode causar pterígio, degeneração da retina e inflamação na córnea.
- Crianças passam 3 vezes mais tempo ao ar livre do que adultos e isso exige maior proteção.
PROTEÇÃO OCULAR IDEAL PARA CADA IDADE
Queiroz Neto afirma que até 10 anos de idade os olhos devem ser protegidos do sol com viseira, chapéu de aba larga ou boné, barreiras físicas que bloqueiam 50% da radiação UV. Isso porque, explica, embora o sistema ocular esteja completamente desenvolvido aos 3 anos de idade, a visão é moldada até os 10 anos. Significa que neste período o estímulo visual de cores, formas e brilho contribuem para perfeita moldagem da visão que está associada à capacidade de aprender. Por isso, ressalta, o escurecimento das imagens por óculos solares pode comprometer este processo nesta fase da vida. Só a partir dos 10 anos os óculos escuros devem ser usados. Como a OMS recomenda proteção máxima, que inclui uso de óculos quando o índice UV atinge 7, o médico afirma que as atividades ao ar livre devem ser evitadas por crianças menores nos horários de pico da radiação - das 11 às 17 horas - durante as férias de verão já iminentes. A regra vale mesmo para dias nublados em que a radiação atinge 70% dos ensolarados.
Para crianças que necessitam de lentes corretivas logo nos primeiros anos de vida o especialista recomenda o uso de lentes fotossensíveis. Isso porque, associam 100% de proteção UV, bom estímulo do sistema ocular e reduzem o cansaço visual no vídeo game por calibrarem o brilho do monitor em um nível bastante confortável.
O médico ressalta que lentes escuras sem proteção mantêm a pupila dilatada e por isso permitem maior penetração da radiação na retina que danifica suas células fotossensíveis. Todo óculos de sol confiável tem certificação NBR ISO 15111, conclui. Sem esta certificação é melhor evitar a compra para prevenir doenças causadas pela radiação.















